quinta-feira, 22 de março de 2012

O Perfil do Pesquisador

O pesquisador de hoje deve estar predisposto a enfrentar e vencer vários desafios, buscando criar novos conhecimentos, procedimentos e soluções para os diversos problemas. Tais conhecimentos criados e alguns aperfeiçoados devem ultrapassar as barreiras físicas e políticas das instituições de pesquisa, sendo divulgados e aplicados no meio social na qual àquela instituição de pesquisa está inserida, com o objetivo de beneficiar e melhorar a realidade da sociedade.
Segundo Schanaider (1994), os preceitos que alicerçam a escola médica compreendem 3 compromissos principais: o ensino, a pesquisa e a integração social. Assim, a produção do conhecimento científico, a formação profissional e a prestação de serviços à comunidade são os elos indissociáveis que dimensionam a educação médica.
Dessa forma, o pesquisador deve assumir o perfil de agente transformador do meio social no qual está inserido, ou seja, deve ter o perfil de pesquisador-professor, isto é, aquele que produz conhecimento e que o repassa para os possíveis alunos.
O pesquisador deverá conduzir qualquer tipo de pesquisa com consciência e responsabilidade ética, social e política, tendo sempre em vista um espírito crítico e empreendedor, pautado no raciocínio lógico e na autonomia intelectual. Atitudes de paciência, de criatividade, de persistência, de coragem para enfrentar desafios e romper paradigmas e de humildade, devem ser inerentes ao pesquisador, assim como a busca incessante pelo conhecimento, pela transformação e reprodução desse conhecimento também devem ser características de um bom pesquisador.
O agente da pesquisa deve agir buscando a integração dos centros de pesquisa universitários à iniciativa privada, como forma de parceria, objetivando interesses comuns e em prol do desenvolvimento científico e social, pois assim criarar-se-á condições necessárias para a captação de recursos imprescindíveis ao desenvolvimento da pesquisa.
No perfil do pesquisador, deve-se estar inserida a idéia de que é necessário estabelecer a pesquisa como princípio educativo, privilegiando a construção e reconstrução do conhecimento como processo central do ato educativo. Assim, todo pesquisador deve experimentar o ambiente da aula, fazendo dela seu próprio laboratório, abrindo assim os olhos dos alunos para as questões científicas que giram em torno dos conhecimentos transmitidos.
O pesquisador deve adquirir uma postura de amante e entusiasta da pesquisa, alimentando um interesse constante em decifrar os enigmas postos pelas questões que se passam na sociedade e uma vontade de saber mais, por amor ao conhecimento.

João Vinícius Barbosa Roberto
Mestrando em Zootecnia/ Sistemas Agrossilvipastoris
Referência:
Schanaider, A. Perfil da Pesquisa Experimental e a Formação do Pesquisador na Educação Médica Contemporânea. Acta cirúrgica brasileira, vol. 9 (4), 1994.
FONTE: http://www.artigonal.com/educacao-artigos/o-perfil-do-pesquisador-4573583.html
  
  

A arte de fazer parceiros

Estudo sugere que o contato pessoal entre pesquisadores é essencial para incentivar colaborações internacionais
FABRÍCIO MARQUES | Edição 191 - Janeiro de 2012
© OLIVIER H. BEAUCHESNE / SCIENCE-METRIX, 2011 / HTTP://COLLABO.OLIHB.COM
A consultoria Science-Metrix criou um mapa das colaborações científicas no mundo com base em artigos com coautores de países diferentes publicados em revistas das bases de dados Scopus e Web of Science entre os anos de 2005 e 2009
Quais são as formas mais efetivas de semear parcerias de pesquisadores com colegas de outros países? As colaborações, cada vez mais almejadas por alcançarem produtividade e relevância frequentemente maiores do que as de trabalhos individuais ou de parcerias domésticas, ocorrem com mais naturalidade em meio a um conjunto de fatores, e um dos mais importantes deles é a chance de conhecer informalmente colegas estrangeiros, em congressos e simpósios. Também desempenham papéis importantes na frequência de colaborações a proximidade cultural entre os pesquisadores; a existência de recursos direcionados para a pesquisa em cooperação; além, naturalmente, da excelência acadêmica e dos níveis de desenvolvimento tecnológico dos parceiros, combustíveis naturais para trabalhos conjuntos de alto nível. Essas conclusões emergem de um estudo feito por três pesquisadores da Coreia do Sul publicado na edição de dezembro da revista Scientometrics. De autoria de Seongkyoon Jeong e Jae Young Choi, do Korea Institute of Machinery and Materials (KIMM), e Jaeyun Kim, do Korea Institute for Industrial Economics and Trade (KIIET), o artigo apresenta um modelo estatístico que se propõe a ponderar a importância de diversos fatores na criação de parcerias internacionais, de colaborações dentro de um mesmo país ou de uma mesma instituição, ou ainda da opção pelo trabalho individual.
O dado mais significativo do artigo é o peso que ele confere à comunicação informal entre os pesquisadores como fator fundamental no estímulo às parcerias. Os autores observaram, por exemplo, uma relação direta entre a frequência de viagens internacionais e a preferência dos pesquisadores por publicar artigos científicos em coautoria com estrangeiros, em detrimento de trabalhos individuais. “O resultado mostra como a comunicação informal com uma unidade de pesquisa no exterior pode acelerar as colaborações internacionais”, escreveu Seongkyoon Jeong, autor principal do artigo e pesquisador do Departamento de Políticas em Pesquisa e Desenvolvimento do KIMM. A internet e outros recursos da tecnologia da informação claramente favorecem a comunicação a distância entre cientistas, mas as evidências mostram que a maioria das colaborações começa apenas depois que as partes estabelecem contatos pessoais. “Os formuladores de políticas públicas devem estimular a frequência de comunicação informal para encorajar os pesquisadores a se beneficiarem das oportunidades de colaboração internacional.”
É certo que a amostra avaliada tem limites: foi analisado um conjunto de 1.530 artigos publicados entre 1997 e 2010 por pesquisadores do KIMM, um instituto do governo coreano para pesquisa em mecânica que atua como ponte entre as universidades e o setor industrial. Esses dados foram cruzados com outras informações sobre o desempenho dos pesquisadores, como, por exemplo, as viagens de trabalho nacionais e internacionais que realizaram no período. O estudo discute as motivações dos que mais colaboram e oferece um conjunto de sugestões para as instituições de pesquisa e as agências de fomento incentivarem seus pesquisadores a colaborar com estratégias mais eficientes. Além de estimular a comunicação informal, recomenda fomentar processos de avaliação dos pesquisadores e dar mais peso à produção acadêmica feita em parcerias internacionais neste processo de avaliação. Ou ainda criar linhas de financiamento que estimulem pesquisas com potencial de colaboração.
A ideia de que encontros pessoais com colegas estrangeiros fertilizam futuras parcerias coincide com a experiência de pesquisadores brasileiros. Vanderlei Salvador Bagnato, professor do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da Universidade de São Paulo (USP), cita um exemplo recente. Em abril, ele coordenou um curso de duas semanas em São Carlos com a participação de palestrantes e estudantes estrangeiros, a Escola Avançada Desafios Modernos com Matéria Quântica: Átomos e Moléculas Frias. A iniciativa faz parte de uma modalidade de apoio da FAPESP, as Escolas São Paulo de Ciência Avançada, que buscam aumentar a exposição internacional de áreas de pesquisa de São Paulo já competitivas mundialmente. Além de discutir um tema emergente, o objetivo, segundo Bagnato, é atrair bons alunos do exterior e de outros estados para atuar em São Paulo. Como acontece em todas as Escolas Avançadas, a metade dos alunos convidados veio de outros países e a ambição do programa é que parte deles se candidate a bolsas de pós-doutoramento no Brasil. “A escola foi maravilhosa para nós. Muitos estudantes que participaram querem vir estudar conosco ou fazer pós-doutoramentos. Em especial, temos vários candidatos alemães que desejam passar alguns meses aqui para discutir possibilidades de pós-doutorado”, diz Bagnato. Com relação aos professores, diversas colaborações nasceram. “Com a Universidade de Cambridge, a pesquisadora Natalia Berloff começou uma colaboração conosco e levou uma de minhas estudantes para fazer um doutorado sanduíche na Inglaterra. O professor Makoto Tsubota, da Universidade da Cidade de Osaka, já enviou um visitante para o nosso laboratório e nós pretendemos mandar estudantes para lá. Muitos outros participantes estão colaborando com o professor Philippe Courteille, também do Instituto de Física da USP. Acho que a escola foi uma boa janela para trazermos estrangeiros para cá e estabelecer uma forte colaboração feita sobre pilares sólidos, pois agora eles conhecem também nossa instituição e não apenas um dos pesquisadores”, explica.
© JEAN-DANIEL FEKETE / INRIA FUTURS, 2007
Rede de coautores das colaborações científicas ligadas ao Laboratório de Pesquisa em Informática da Universidade Paris-Sud, na França, de 2000 a 2004
Contra o senso comum
Samile Vanz, autora de uma tese de doutorado sobre colaborações científicas no Brasil (ver Pesquisa FAPESP nº 169) e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, acredita que os achados do grupo sul-coreano são um ponto de partida importante para o debate sobre as colaborações e um norte para futuros estudos. “Há outro dado do artigo, que contraria o senso comum, mostrando que não foi observada uma correlação entre o fato de pesquisadores terem feito doutorado no exterior e um aumento em colaborações internacionais. As agências de fomento brasileiras, aliás, só têm financiado doutoramentos lá fora em poucos casos, quando se trata de áreas em que o país ainda é fraco. Preferem patrocinar os doutorados sanduíche e os pós-doutorados, de duração menor”, diz. “Claro que isso precisa ser investigado numa amostra bem maior, mas sugere que a ideia de que é preciso enviar pesquisadores para fazer doutorado no exterior para internacionalizar a ciência brasileira talvez tenha impacto menor do que a estratégia de investir com mais fôlego na participação em simpósios, congressos, visitas e missões no exterior”, diz Samile.
A pesquisadora afirma que a burocracia das universidades e as regras restritas de agências de fomento fazem com que os pesquisadores brasileiros viajem menos ao exterior do que poderiam. “Falo pela minha experiência, de quem trabalha numa universidade federal. A autorização para uma viagem é demorada e precisa passar por diversas instâncias. E não se consegue mais do que um auxílio por ano nas agências. Os recursos para participar de congressos, ou para trazer gente de fora em congressos aqui, ainda são restritos”, afirma. “Há muito a avançar no estímulo a esse intercâmbio informal aqui no Brasil.”
Estudos citados no artigo sul coreano mostram que a proporção de papers de alto impacto cresce à medida que o número de autores por artigo aumenta – se os coautores são de países diferentes, o número de citações chega e ser duas vezes maior do que em colaborações dentro de um mesmo país. “Os formuladores de políticas também têm estimulado colaborações em grandes iniciativas sob a influência de um novo paradigma chamado de Inovação Aberta”, escreveram os autores, referindo-se a um modelo colaborativo de pesquisa em que o fluxo de informações permite que as ideias sejam mais bem aproveitadas mesmo que não seja necessariamente por quem as gerou.
Mas o desejo de colaborar enfrenta uma prova de obstáculos antes de se converter em artigos publicados em coautoria. Marcelo Knobel, professor do Instituto de Física Gleb Wataghin, da Universidade Estadual de Campinas, conta que só uma fração dos contatos internacionais transforma-se em colaborações. “Há parcerias que começam promissoras mas não saem do lugar. A incompatibilidade pode ser de timing. Existe o interesse, mas uma das partes não está tão disponível quanto a outra. Às vezes o problema é o excesso de confiança – um dos parceiros quer publicar logo e o outro não. Ou então é o excesso de zelo – uma das partes quer testar 30 vezes e a outra não acha necessário”, diz Knobel, que já estabeleceu colaborações com colegas de mais de 20 países e costuma receber em seu laboratório pesquisadores visitantes de várias nacionalidades (ver Pesquisa FAPESP nº 175). As motivações para colaborar são múltiplas, afirma. “Pode ser o jovem pesquisador em busca da sabedoria do mais velho, ou o cientista sênior sem tempo para se dedicar mais e precisando da ajuda de jovens talentosos. Às vezes são pesquisadores experimentais precisando da ajuda de teóricos, ou vice-versa. Ou então se trata do especialista numa determinada técnica que é procurado por pesquisadores em busca de um apoio específico”, explica. O contato pessoal com colegas de outros países é indispensável para a colaboração vicejar. “Você não precisa conhecer um pesquisador para saber o que ele está fazendo. Basta ler seus trabalhos científicos. Mas para fazer parceria é preciso ter contato pessoal, ver se os gostos e os interesses se afinam, se a conversa tem ressonância. No fundo, é para isso que se fazem tantos congressos e simpósios”, diz o pesquisador, que em 2010 ajudou a coordenar o simpósio Frontiers of Science, organizado pela Royal Society e pela FAPESP, que reuniu em Itatiba, no interior paulista, um grupo de 76 pesquisadores do Brasil, do Reino Unido e do Chile para debater grandes questões do conhecimento sob uma ótica multidisciplinar. “O objetivo do simpósio era justamente o de colocar pesquisadores para conversar e estimular parcerias”, afirma.
Fonte: FAPESP

MODELO PARA ELABORAÇÃO E FORMATAÇÃO DE ARTIGOS CIENTÍFICOS


Resumo
Este documento apresenta o modelo de formatação a ser utilizado nos artigos submetidos às Atividades Complementares dos módulo III e IV. Para este resumo não se deve ultrapassar 250 palavras sintetizando o tema em questão, objetivo do estudo, a metodologia e as considerações finais a que se chegou. Deve-se evitar frases longas e não se recorre a citações ou uso de qualquer tipo de ilustração (gráfico, tabela, fórmulas).

Palavras-chave: Artigo Científico. Metodologia. Normas.

Introdução
Este documento está escrito de acordo com o modelo indicado para o artigo, assim, serve de referência, ao mesmo tempo em que comenta os diversos aspectos da formatação. Observe as instruções e formate seu artigo de acordo com este padrão.
O artigo completo não deve exceder 8 (oito) páginas, podendo conter no mínimo 5 (cinco) páginas. As margens devem ter: superior 3cm, inferior 2cm, lateral esquerda 3cm, e lateral direita 2cm. O tamanho de página deve ser A4. O tipo de fonte deve ser Times New Roman, tamanho 12. Título: deve estar centralizado, em negrito, com letras maiúsculas e não deve ultrapassar duas linhas. A Introdução inicia-se a três espaços após o Resumo.
Nomes dos autores: centralizados, com letra Times New Roman tamanho 10, com primeira letra de cada nome em maiúscula e o restante em minúsculo, em itálico, seguido do e-mail do autor (entre parênteses). Nas linhas seguintes, deve-se repetir o mesmo procedimento para o outro autor. Portanto, pode ser de autoria de um ou de dois autores.
Títulos das sessões: os títulos das sessões do trabalho devem ser posicionados à esquerda, em negrito, numerados com algarismos arábicos (1, 2, 3, etc.). Deve-se utilizar texto com fonte Times New Roman, tamanho 12, em negrito. Não coloque ponto final nos títulos.
Observe-se o cabeçalho na primeira página e a inserção da numeração a partir da segunda página, no alto à direita.

1 Formatação geral

Um artigo deve conter partes pré-textuais (título, autoria, resumo, palavras-chaves), partes textuais (introdução, desenvolvimento desdobrado em subitens, e considerações finais apresentando a conclusão do estudo) e as partes pós-textuais, que neste formato restringe-se às referências bibliográficas (de obras citadas durante o texto) e à bibliografia consultada (obras lidas, mas não citadas). Na seqüência este modelo apresenta cada uma dessas partes.
Na introdução, deve-se apresentar o tema do artigo e a problemática em que se insere. Também se deve apresentar como a pesquisa foi realizada para discussão do tema-problema.
No desenvolvimento e em seus subitens, discorre-se sobre a questão envolvida no tema, recorrendo às referências teóricas levantadas durante a pesquisa.
As considerações finais tratam do fechamento do tema, ainda que reconhecendo os limites do próprio artigo para apontar soluções, podendo-se pontuar a necessidade de novas investigações.
Quanto à formatação do corpo do texto: deve-se iniciar o texto imediatamente abaixo do título das seções. O corpo de texto utiliza fonte tipo Times New Roman, tamanho 12, justificado na direita e esquerda, com espaçamento entre linhas simples.

2 Formatação de tabelas e figuras
Figuras e tabelas não devem possuir títulos (cabeçalhos), mas sim legendas. Para melhor visualização dos objetos, deve ser previsto um espaço simples entre texto-objeto e entre legenda-texto. As legendas devem ser posicionadas abaixo das Figuras e Tabelas. Esses objetos, bem como suas respectivas legendas, devem ser centralizados na página (ver, por exemplo, a Figura 1). Use, para isso, os estilos pré-definidos “Figura” ou “Tabela”. Para as legendas, deve-se utilizar fonte Times New Roman, tamanho 10, centralizada (ou, alternativamente, o estilo “Legenda”). Legendas não levam ponto final.

Figura 1 – Exemplo de figura
Fonte: ENEGEP, 2005

Nas tabelas deve ser usada, preferencialmente, a fonte Times New Roman, tamanho 10. Os estilos utilizados no interior de Tabelas devem ser “Tabela Cabeçalho” e “Tabela Corpo”, os quais podem ser editados (alinhamento, espaçamento, tipo de fonte) conforme as necessidades (como, por exemplo, a fim de centralizar o conteúdo de uma coluna).
A Tabela 1 apresenta o formato indicado para as tabelas. É importante lembrar que as tabelas devem estar separadas do corpo do texto por uma linha em branco (12 pontos). Para tanto, pode-se usar uma linha do estilo “Tabela Espaçamento” entre o corpo de texto anterior à tabela e a mesma, conforme exemplificado a seguir.

Item
Quantidade
Percentual
Teoria social
22
7,9%
Método
34
12,3%
Questão
54
19,5%
Raciocínio
124
44,8%
Método de amostragem
33
11,9%
Força
10
3,6%
Tabela 1 – Pesquisa qualitativa versus pesquisa quantitativa
Fonte: Adaptado de Mays (apud GREENHALG, 1997.
3 Citações

Segundo as normas da ABNT “o recurso das citações contribui para explicitação das referências teóricas adotadas na construção do trabalho, as quais introduzem os autores com que o texto manterá seu diálogo. A chamada de autores deverá ser feita pelo sistema AUTOR-data”.
Reparem que a citação de autores ao longo do texto é feita em letras minúsculas, enquanto que a citação de autores entre parênteses, ao final do parágrafo, deve ser feita em letra maiúscula, conforme indicado no próximo parágrafo. Deve-se recorrer às Normas da ABNT para esclarecer demais detalhes sobre a apresentação e formatação.
Na verdade, citar trechos de trabalhos de outros autores, sem referenciar adequadamente, pode ser enquadrado como plágio (CEZAR, 2007)
No caso de citações com mais de 4 linhas, estas devem vir destacadas do texto do artigo, com recuo de 4cm da margem esquerda, com texto justificado e em corpo menor (neste caso fonte 11).

Considerações Finais
Para as referências, deve-se utilizar texto com fonte Times New Roman, tamanho 12, espaçamento simples, e para organização das informações que devem constar nas referências deve-se consultar o Manual de Normas da ABNT. As referências devem aparecer em ordem alfabética e não devem ser numeradas. Todas as referências citadas no texto, e apenas estas, devem ser incluídas ao final, na seção Referências. No caso de obras consultadas, porém não referenciadas deve-se indicar na Bibliografia Consultada. Seguem os exemplos logo abaixo.



Referências
IENH. Manual de normas de ABNT. Disponível em www.ienh.com.br

Bibliografia Consultada
FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS. Normas para apresentação de monografia. 3. ed. Escola de Administração de Empresas de São Paulo, Biblioteca Karl A. Boedecker. São Paulo: FGV-EAESP, 2003. 95 p. (normasbib.pdf, 462kb). Disponível em: <www.fgvsp.br/biblioteca>. Acesso em: 23 set. 2004.
OLIVEIRA, N. M.; ESPINDOLA, C. R. Trabalhos acadêmicos: recomendações práticas. São Paulo: CEETPS, 2003.
PÁDUA, E. M. M. de. Metodologia científica: abordagem teórico-prática. 10 ed. ver. atual. Campinas, SP: Papirus, 2004.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Métodos e Pesquisa

Métodos e Técnicas de Pesquisa

PESQUISA CIENTÍFICA

Toda pesquisa deve passar por uma fase preparatória de planejamento devendo-se estabelecer certas diretrizes de ação e fixar-se uma estratégia global. A realização deste trabalho prévio é imprescindível.
A ciência se apresenta como um processo de investigação que procura atingir conhecimentos sistematizados e seguros. Para alcançar este objetivo é necessário que se planeje o processo de investigação, isto é, traçar o curso de ação a ser seguido no processo da investigação científica.
Não é, porém, necessários que se sigam normas rígidas. A flexibilidade deve ser a característica principal neste planejamento de pesquisa, para que as estratégias previstas não bloqueiem a criatividade e a imaginação crítica do investigador.
Afirma-se que não existe método científico estabelecido previamente. Existem critérios gerais orientadores que facilitam o processo de investigação.

TIPOS DE PESQUISA

 
O planejamento de uma pesquisa depende tanto do problema a ser investigado, de sua natureza e situação espaço-temporal em que se encontra, quanto da natureza e nível de conhecimento do investigador. Assim pode haver um número sem fim de tipos de pesquisa.
Serão desconsideradas as diferentes classificações desses tipos para utilizar apenas uma: a que leva em conta o procedimento geral que é utilizado para investigar o problema. Com isso podemos distinguir no mínimo três tipos de pesquisa: a bibliográfica, a experimental e a descritiva.
Pesquisa Bibliográfica
Desenvolve-se tentando explicar um problema através de teorias publicadas em livros ou obras do mesmo gênero. O objetivo deste tipo de pesquisa é de conhecer e analisar as principais contribuições teóricas existentes sobre um determinado assunto ou problema, tornando-se um instrumento indispensável para qualquer pesquisa. Pode-se usá-la para diversos fins como, por exemplo:
  • Ampliar o grau de conhecimento em uma determinada área;
  • Dominar o conhecimento disponível e utilizá-lo como instrumento auxiliar para a construção e fundamentação das hipóteses;
  • Descrever ou organizar o estado da arte, daquele momento, pertinente a um determinado assunto ou problema.
Pesquisa Experimental
Neste tipo de pesquisa o investigador analisa o problema, constrói suas hipóteses e trabalha manipulando os possíveis fatores, as variáveis, que se referem ao fenômeno observado. A manipulação na quantidade e qualidade das variáveis proporciona o estudo da relação entre causas e efeitos de um determinado fenômeno, podendo-se controlar e avaliar os resultados dessas relações.
Pesquisa Descritiva não Experimental
Este modelo de pesquisa estuda as relações entre duas ou mais variáveis de um dado fenômeno sem manipulá-las. A pesquisa experimental cria e produz uma situação em condições específicas para analisar a relação entre variáveis à medida que essas variáveis se manifestam espontaneamente em fatos, situações e nas condições que já existem.
A decisão de se utilizar à pesquisa experimental ou não-experimental na investigação de um problema vai depender de vários fatores: natureza do problema e de suas variáveis, fontes de informação, recursos humanos, instrumentais e financeiros disponíveis, capacidade do investigador, conseqüências éticas e outros.
Devem-se avaliar as vantagens e as limitações que apresentam um e outro tipo de pesquisa. Kerlinger (1985, p. 127) apresenta três vantagens da pesquisa experimental. A primeira é a fácil possibilidade de manipulação das variáveis isoladamente ou em conjunto; a segunda é a flexibilidade das situações experimentais que otimiza a testagem dos vários aspectos das hipóteses; a terceira é a possibilidade de replicar os experimentos ampliando e facilitando a participação da comunidade científica na sua avaliação. Como limitações, Kerlinger aponta a falta de generalidade, pois um resultado evidenciado em uma pesquisa experimental de laboratório nem sempre é o mesmo obtido em uma situação de campo onde há variáveis muitas vezes desconhecidas ou imprevisíveis que podem intervir nos resultados. Por esse motivo, os seus resultados devem permanecer restritos às condições experimentais.
Pesquisa Exploratória
Outro tipo de pesquisa que tem grande utilização, principalmente nas áreas sociais. Nela não se trabalha com a relação entre as variáveis, mas com o levantamento da presença das variáveis e de sua caracterização quantitativa ou qualitativa. Seu objetivo fundamental é o de descrever ou caracterizar a natureza das variáveis que se quer conhecer.


FLUXOGRAMA DA PESQUISA

Desde a preparação até a apresentação de um relatório de pesquisa estão envolvidas diferentes etapas. Algumas delas são concomitantes; outras são interpostas. O fluxo que ora se apresenta tem apenas uma finalidade didática de exposição. Na realidade ela é extremamente flexível. Abaixo temos o exemplo de um fluxograma de pesquisa científica:
1. Etapa de Preparação e de Delimitação do problema
  • Escolha do tema
  • Revisão da Literatura
  • Documentação
  • Crítica da documentação
  • Construção do referencial Teórico
  • Delimitação do problema
  • Construção das Hipóteses
2. Etapa de Construção do Plano
  • Problema e Justificativa
  • Objetivos
  • Referencial Teórico
  • Hipóteses, Variáveis e Definições
  • Metodologia;
  • Design;
  • População e Amostra;
  • Instrumentos;
  • Plano de Coleta, Tabulação e Análise de Dados.
  • Estudo Piloto, com testagem dos instrumentos, técnicas e plano de análise dos dados.
3. Etapa de Execução do Plano
  • Estudo Piloto
  • Treinamento dos Entrevistadores
  • Coleta de Dados
  • Tabulação
  • Análise e Estatística
  • Avaliação das Hipóteses
4. Etapa de Construção e Apresentação do Relatório
Construção do Esquema do Relatório: Problema, referencial teórico, resultado da avaliação do teste das hipóteses e conclusões.
  • Redação: Sumário, introdução, corpo do trabalho, conclusão, referências bibliográficas, bibliografia, tabelas, gráficos e anexos.
  • Apresentação: Conforme as normas da ABNT.
Primeira Etapa: Preparatória
Esta fase, a preparatória, é dedicada a escolha do tema, à delimitação do problema, à revisão da literatura, construção do marco teórico e construção das hipóteses. Seu objetivo principal é a que o pesquisador defina o problema que irá investigar. È nesta etapa que se apresentam as principais dificuldades para o investigador.
A escolha do tema deve estar condicionada à existência de três fatores:
  • O primeiro é que o tema responda aos interesses de quem investiga.
  • O segundo é a qualificação intelectual de quem investiga. O pesquisador deve usar temas que estejam ao alcance de sua capacidade e de seu nível de conhecimento.
  • O terceiro é a existência de fontes de consulta que estejam ao alcance do pesquisador. O primeiro passo para constatar sua existência é fazer um levantamento das publicações que existem sobre o tema nas bibliotecas, consultando catálogos e revistas especializadas, resenhas e comentários.
Escolher o tema é indicar a área e a questão que se quer investigar. No entanto, apenas a escolha do tema não diz ainda o que o pesquisador quer investigar. A sua meta, nesta etapa, é a de delimitar a dúvida que irá responder com a pesquisa. A delimitação do problema esclarece os limites precisos da dúvida que tem o investigador dentro do tema escolhido. A simples escolha de um tema deixa o campo da investigação muito amplo e muito vago. Há necessidade de se estabelecer os limites de abrangência do estudo a ser efetuado. Isso só é possível quando se delimita com precisão o problema, o que é conseguido com perguntas pertinentes especificando com clareza as dúvidas. Deve ser expresso em forma de enunciado interrogativo que contenha no mínimo a relação entre duas variáveis. Se não manifestar esta relação é sinal que ele ainda não está suficientemente claro para a investigação.
Para chegarmos ao enunciado devemos antes defini-lo da seguinte maneira:
a. A área ou o campo de observação;
b. As unidades de observação. Dever estar claro quem ou o quê deverá ser objeto de observação.
c. Apresentar as variáveis que serão estudadas, mostrando que aspectos ou que fatores mensuráveis serão analisados, com a respectiva função empírica.
Para que ocorra essa clareza na delimitação do problema é necessário que o investigador tenha conhecimento. Ninguém investiga o que não conhece. E a forma mais fecunda para se obter conhecimento é através da revisão da literatura pertinente ao tema investigado. O objetivo desta revisão é de aumentar o acervo de informações e do conhecimento do investigador com as contribuições teóricas já existentes. Lançar-se em uma pesquisa desconhecendo as contribuições já existentes é arriscar-se a perder tempo em busca de soluções que talvez outros já tenham encontrado, ou percorrer caminhos já trilhados com insucesso.
A revisão da literatura é feita buscando-se nas fontes primárias e na bibliografia secundária as informações relevantes que foram produzidas e que têm relação com o problema investigado. Pode-se usar como fontes livros, obras publicadas, monografias, periódicos especializados, documentos e registros existentes em institutos de pesquisa.
Durante a revisão da literatura deve-se executar o registro dessas idéias em fichas, juntamente com comentários pessoais, com o objetivo de essa documentação bibliográfica acumular e organizar idéias relevantes já produzidas na ciência.
Concluída a documentação, inicia-se a fase da avaliação e crítica. Nesse momento deve-se estabelecer o confronte entre idéias consideradas relevantes examinando a sua consistência, nível de coerência interna e externa e comparando-as entre si. O importante é notar os pontos positivos e negativos nas teorias analisadas, inter-relacionando uma com as outras não esquecendo que a crítica tem sempre em vista o problema investigado. É ela que seleciona o acervo de idéias trabalhadas para a montagem posterior do quadro de referências teóricas.
Após a crítica se iniciam a ordenação das idéias coletadas, os objetivos da investigação, as teorias relevantes que o abordam com seus pontos positivos ou negativos e as hipóteses propostas pelo autor. Esta fase é a de construção, da montagem e exposição do quadro de referência teórica que será utilizado para a delimitação e a análise do problema abordado, para a sustentação das hipóteses sugeridas e a construção das definições que traduzem os conceitos abstratos das variáveis.
Se a pesquisa for bibliográfica, constrói-se o quadro de referência teórica que sustenta as conclusões.
Se a pesquisa for experimental ou descritiva, a fase seguinte comporta a explicação de hipóteses, o estabelecimento das variáveis e suas definições empíricas.
Segunda Etapa: Elaboração do Projeto de Pesquisa
A partir da conclusão da etapa preparatória, o investigador pode iniciar a segunda etapa da investigação, preocupando-se com a elaboração do projeto que estabelece a seqüência da investigação, tendo como curso orientador o problema e o teste das hipóteses. Sem o projeto o investigador corre o risco de desviar-se do problema que quer investigar, recolhendo dados desnecessários ou deixando de obter os necessários.
O projeto de pesquisa é um plano onde aparecem explícitos os seguintes itens:
a. Tema, problema e justificativa;
b. Objetivos;
c. Quadro de referência teórica
d. Hipóteses, variáveis e respectivas definições empíricas;
e. Metodologia;
f. Descrição do estudo piloto;
g. Orçamento e cronograma;
h. Referências bibliográficas;
i. Anexos.
O projeto é um documento o máximo sintético e objetivo que apresenta os principais itens que compõem a investigação para uma pré-avaliação de sua viabilidade. Ele tem dois objetivos: o primeiro é proporcionar ao investigador o planejamento que vai executar, prevendo os passos e atividades a ser seguidos; o segundo é dar condições para uma avaliação externa feita por outros pesquisadores.
Para tanto há necessidade de que todos os itens do projeto atendam aos requisitos e exigências requeridas pela comunidade científica observando os seguintes aspectos:
  • Enunciar com clareza o problema, explicitando e definindo as variáveis que estão presentes no estudo.
  • A pertinência das hipóteses deve ser demonstrada pela sua adequação com o quadro de referência teórica apresentada.
  • A revisão bibliográfica deve ser atualizada e englobar a análise das obras básicas relacionadas ao problema investigado.
  • A viabilidade e a pertinência da metodologia proposta para a testagem das hipóteses devem ser apresentadas.
  • Os tipos de análise ou de testes estatísticos também devem ser previstos. Devem-se explicar os tipos de instrumentos que serão utilizados.
  • O detalhamento do orçamento, prevendo as despesas com recursos humanos e materiais e o cronograma que especifica os prazos para cada fase da investigação.
Após estar pronto o plano executa-se o estudo piloto com uma amostra que possua características semelhantes ao elemento estudado. Este estudo poderá fornecer valiosos subsídios para o aperfeiçoamento dos instrumentos de pesquisa ou para os procedimentos de coleta de dados.
Terceira Etapa: Execução do Plano
Executado o estudo piloto, se necessário, introduzem-se correções e se inicia a etapa seguinte que é a da execução do plano, com a testagem propriamente dita das hipóteses, com o experimento ou a coleta de dados. Se a pesquisa utilizar entrevistadores há necessidade de treiná-los previamente visando uniformizar os procedimentos de ação neutralizando ao máximo a interferência de fatores estranhos no resultado da pesquisa.
Executada a fase de coleta, inicia-se o processo de tabulação, com a digitação dos dados, aplicação dos testes e análise estatística e avaliação das hipóteses. A análise estatística deve servir para afirmar se as hipóteses são ou não rejeitadas. Através dela pode-se estabelecer uma apreciação com juízos de valor sobre as relações entre as variáveis.
Quarta Etapa: Construção do Relatório de Pesquisa
Esta etapa é dedicada à construção do relatório de pesquisa que serve para relatar a comunidade científica, ou ao destinatário de sua pesquisa, o resultado, procedimentos utilizados, dificuldades e limitações de sua pesquisa.


ESTRUTURA E APRESENTAÇÃO DOS RELATÓRIOS DE PESQUISAS

A finalidade de um relatório de pesquisa é a de comunicar os processos desenvolvidos e os resultados obtidos em uma investigação. Os relatórios podem ser feitos de diversas formas: através de um artigo sintético para ser publicado em um algum periódico, através de uma monografia com objetivos acadêmicos ou na forma de uma obra para ser publicada. Além dos elementos que envolvem que envolvem uma produção textual e que seguem a orientação da lingüística aplicada, há os elementos objetivos ligados à coerência lógica, coesão textual e norma técnicas padronizadas e convenções tradicionais que devem ser respeitadas.
Há determinadas convenções padronizadas, decorrente do uso acadêmico, literário e científico, que acabaram por se transformar em normas e em modelos formais que devem ou podem ser seguidos.
Tipos de Relatório de Pesquisa Científica
Os relatórios de pesquisa são tratados na literatura específica com sentidos diversos, gerando, muitas vezes, ambigüidade de interpretações.
Há relatórios elaborados com fins acadêmicos e com fins de divulgação científica. Costuma-se incluir como "trabalho científico" diferente tipos de trabalho: resumos, resenhas, ensaios, artigos, relatórios de pesquisa, monografias, etc. O adjetivo "científico" confunde muitas vezes a cientificidade com o cumprimento das normas e padrões de sua estrutura e apresentação. Convém lembrar que cientificidade nada tem haver com normas e padrões.
O que há de comum nestes tipos de trabalho, exceto o resumo e resenha, é que todos são monográficos, devem versar sobre o problema que foi investigado e desenvolvido com atitude científica. Investiga-se um problema (mono), e não dois ou vários. Nesse sentido são todos os relatórios de pesquisa, necessariamente monográficos e científicos, com uma estrutura básica comum e algumas diferenças ao nível de profundidade da investigação, da exigência acadêmica em que são desenvolvidos, aos seus objetivos e aspectos formais tendo em vista a finalidade de sua apresentação.
Estrutura dos Relatórios de Pesquisa Científica
Um relatório de pesquisa compreende as seguintes partes:
a) Elementos pré-textuais:
  • Capa;
  • Folha de Rosto: contém elementos essenciais à identificação do trabalho;
  • Dedicatória: opcional, serve para indicar pessoas a que se oferece o trabalho;
  • Agradecimentos: serve para nomear pessoas as quais se deve gratidão, em função a algum tipo de colaboração no trabalho;
  • Abstract: resumo da investigação, destacando as partes mais importantes
  • Sumário: fornece a enumeração das principais divisões, seções e outras partes do trabalho;
  • Lista de Tabelas, Gráficos e Quadros: quando houver deve-se lista-los.
b) Elementos Textuais:
  • Introdução: seu objetivo é situar o leitor no contexto da pesquisa considerando os seguintes aspectos:
  • Problema
  • Objetivo
  • Justificativa
  • Definições
  • Metodologia
  • Marco Teórico
  • Hipóteses
  • Dificuldades ou Limitações
  • Desenvolvimento: é a demonstração lógica de todo o trabalho de pesquisa;
  • Conclusão: ela deve retomar o problema inicial, revendo as principais contribuições que trouxe a pesquisa e apresentar o resultado final;
  • Notas: servem para o autor apresentar indicações bibliográficas, fazer observações, definições de conceito ou complementações ao texto;
  • Citações: são menções, através de transcrição ou paráfrase, das informações retiradas de outras fontes;
  • Fontes Bibliográficas: é o conjunto de elementos que permitem a identificação das fontes citadas no texto.
c) Elementos Pós-textuais:
  • Apêndice: utilizado para colocar textos ou informações complementares elaborados pelo autor;
  • Anexo: documento não elaborado pelo autor, acrescentado para provar, ilustrar ou fundamentar o texto.


ARTIGO CIENTÍFICO: ESTRUTURA E APRESENTAÇÃO

O artigo é uma apresentação sintética. Em forma de relatório escrito, dos resultados de investigações ou estudos realizados a respeito de uma questão. Seu objetivo é o de ser um meio rápido de divulgar o referencial teórico, a metodologia, os resultados alcançados e as principais dificuldades encontradas no processo de investigação ou análise de uma questão.
O artigo tem a seguinte estrutura:
  • Identificação: Título do trabalho, autor e qualificação do autor;
  • Abstract: Resumo;
  • Palavras-chave: Termos que indicam o conteúdo do artigo;
  • Artigo: Deve conter introdução, desenvolvimento e demonstração dos resultados, conclusão;
  • Referências Bibliográficas;
  • Anexos ou Apêndices: Quando necessário;
  • Data do Artigo.

 
APRESENTAÇÃO DOS RELATÓRIOS DE PESQUISA E REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

A finalidade de um relatório de pesquisa é comunicar os resultados obtidos na investigação. A sua apresentação formal obedecem as normas técnicas padronizadas e a determinados formalismos a serem seguidos conforme relacionado abaixo.
Distribuição do Texto na Folha
  • Paginação: As páginas devem ser numeradas com números arábicos no canto superior direito da folha, iniciando-se a contagem na folha de rosto;
  • Papel, margens e espacejamento: Deve-se usar papel A4 tamanho. Na distribuição do texto, para páginas capitulares, deixa-se 8 cm de margem superior entre o texto e a borda e nas demais 3cm. A margem esquerda deve ser de 3,5 cm e a direita e inferior 2,5 cm.
  • Citações: Podem ser em forma de transcrição, ou de paráfrase.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: NORMAS DE APRESENTAÇÃO

Definições e Localização
São um conjunto de elementos que permitem a identificação de documentos impressos ou registrados em diversos tipos de material, utilizados como fonte de consulta e citados nos trabalhos elaborados os quais devem seguir as normas da NBR 6023 da ABNT.
Uma referência bibliográfica tem elementos essenciais e complementares. Os essenciais são os indispensáveis para a identificação das fontes de citações de um trabalho; os complementares são os opcionais que podem ser acrescentados aos essenciais para melhor caracterizar as publicações referenciadas.
As referências bibliográficas podem aparecer em diversos em diferentes locais do texto, em notas de rodapé ou de fim de texto, lista bibliográfica sinalética ou analítica e encabeçando resumos ou recensões.
Ordem dos Elementos
Os elementos essenciais e complementares devem seguir a seguinte ordem:
a. Autor da publicação;
b. Título do trabalho;
c. Indicações de responsabilidade;
d. Número de edição;
e. Imprenta (Local da edição, editor e ano da publicação);
f. Descrição física, ilustração e dimensão;
g. Série ou coleção;
h. Notas especiais;
i. ISBN.


NORMAS COMPLEMETARES E GERAIS DE APRESENTAÇÃO

A seguir estão às regras e normas gerais que complementam a apresentação, normatizadas pela NBR 60-23.
Pontuação
Deve-se usar uma forma consistente de pontuação para todas as referências incluídas numa lista de publicação. Os vários elementos da referência bibliográfica devem ser separados entre si por uma pontuação uniforme.
Emprega-se vírgula entre o sobrenome e o nome do autor (pessoa física) quando invertido.
Ligam-se por hífen as páginas inicial e final da parte referenciada, bem como as datas limites de determinado período da publicação.
Ligam-se por barra transversal os elementos do período coberto pelo fascículo referenciado.
Indicam-se entre colchetes os elementos que não figuram na obra referenciada.
Empregam-se reticências nos casos em que se faz supressão de parte do título.
Tipos e Corpos
Deve-se usar uma forma consistente de destaque tipográfico para todas as referências incluídas numa lista ou publicação.
Autor
Indicam-se ou autor físico geralmente com a entrada pelo último sobrenome e seguido do prenome. Em caso de exceção, consultar as fontes adequadas.
Quando a obra tem até três autores, mencionam-se todos na entrada, na ordem em que aparecem na publicação. Se há mais de três, após os três primeiros segue-se a expressão et alii.
Obras constituídas de vários trabalhos ou contribuições de vários autores entram pelo responsável intelectual.
Em caso de autoria desconhecida, entra-se pelo título, não usando a expressão "anônimo".
Obra publicada sob pseudônimo, este deve ser adotado na referência. Quando o verdadeiro nome for conhecido, é indicado entre colchetes, depois do pseudônimo.
As obras de responsabilidade de entidade coletivas têm geralmente entrada pelo título, com exceção de anais do congresso e trabalhos administrativos, legal, etc.
Título
O título é reproduzido tal como figura na obra ou trabalho referenciado, transliterado, se necessário.
Edição
Indica-se a edição em algarismos arábicos, seguidos de ponto e abreviatura da palavra edição no idioma da publicação.
Imprenta
Indica-se o local (cidade) da publicação, nome do editor e a data da publicação da obra.
Descrição Física
Aqui se define o número de páginas ou volumes, material especial, ilustrações, dimensões, séries e coleções.
Notas Especiais
São informações complementares que podem ser acrescentadas ao final da referência bibliográfica.


COMO CLASSIFICAR PESQUISAS

As pesquisas podem ser classificadas em três grandes grupos: exploratórias, descritivas e explicativas.
1 – Pesquisas Exploratórias
Tem como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema para torná-lo mais explícito ou a construir hipóteses. Na maioria dos casos essas pesquisas envolvem: levantamento bibliográfico, entrevistas com pessoas relacionadas a pesquisa e análise de exemplos.
2 – Pesquisas Descritivas
Tem como objetivo a descrição das características de determinada população ou fenômeno ou a relação entre determinadas variáveis.
3 – Pesquisas Explicativas
Tem como preocupação central identificar os fatores que determinam ou contribuem para a ocorrência dos fenômenos. É a que mais aprofunda o conhecimento da realidade, pois explica a razão, o porquê das coisas.

Resenhas, Resumos e Fichamentos

Vamos tentar entender as diferenças:

Resenha
Dicionário Aurélio: [Dev. de resenhar.] Substantivo feminino.
1.Ato ou efeito de resenhar.
2
.Descrição pormenorizada.
Resenhar: [Do lat. resignare.] Verbo transitivo direto.
1.Fazer resenha de; relatar minuciosamente.
2.Enumerar por partes.

Resumo:
Dicionário Aurélio: [Dev. de resumir.] Substantivo masculino.
1.Ato ou efeito de resumir(-se).
2.Exposição abreviada de uma sucessão de acontecimentos, das características
gerais de alguma coisa, etc., tendente a favorecer sua visão
global: síntese, sumário, epítome, sinopse.
Fichamento: Dicionário
Aurélio: [De fichar + -mento.] Substantivo masculino.
1.Ato ou efeito de fichar.
Fichar: [De ficha + -ar2.] Verbo transitivo direto. 1.Anotar
ou registrar em fichas; catalogar.
2. Fazer a ficha.

Resenha:
A resenha é um tipo de trabalho que para ser feito é necessário que se tenha domínio do assunto abordado.
“Somente o conhecimento profundo permitirá a você estabelecer comparações e fornecerá a maturidade intelectual necessária para a emissão de qualquer julgamento de valor, ou seja, dizer se concorda ou discorda com as considerações apresentadas pela obra e texto a ser resenhado.”
Muito utilizado nos meios acadêmicos, esse recurso pode ser utilizado para relatar qualquer acontecimento da realidade (um filme, uma peça teatral, um evento esportivo, etc), além de livros (inteiros ou parte deles) e textos diversos.
Ao elaborar uma resenha o resenhista tem um objetivo, ou seja sua intenção pode ser, por exemplo, a de fazer publicidade ou a de adquirir conhecimento sobre o objeto. A partir desse objetivo deve-se determinar os pontos relevantes do objeto a ser resenhado. Por exemplo, ao resenhar um livro, com o objetivo de promovê-lo, não é relevante informar seu custo de produção, mas é imprescindível destacar os dados referentes ao autor da obra.
A resenha é, portanto, “[...] um texto que apresenta informações selecionadas e resumidas sobre o conteúdo de outro texto, trazendo, além das strong>informações,
comentários
e avaliações do resenhista.” Resenha, 2004. p. 15)
O fragmento abaixo é um exemplo de resenha.




“[...]
É sensacional!
Méritos para o estreante, roteirista e diretor Sylvain
Chomet, que criou um universo charmoso
e criativo
, no qual opta por espelhar-se no cinema
mudo apresentando uma mistura de raros diálogos, canções
e movimentos. Além da simples
história que exibe uma trama cativante
e envolvente
, o encanto
certamente está no gráfico em 2D, devido aos
divertidos traços caricaturados
das feições humanas e dos ambientes com cores
leves
.[...]” (MORGAN, Ricardo. As bicicletas de Belleville. In: MACHADO,
Anna Rachel; LOUSADA, Eliane; ABREU-TARDELLI, Lília
Santos. Resenha. São Paulo: Parábola
Editorial, 2004. p. 17)




Esse fragmento foi extraído da resenha de um filme. Note que os termos em destaque (sensacional, charmoso, criativo, simples, etc) representam a opinião do resenhista. Ele procurou (e conseguiu): mostrar as informações de forma resumida, mostrar as informações mais relevantes e posicionar-se criticamente em relação ao objeto resenhado.
RESUMO: O resumo, assim como a resenha, deve conter dados selecionados e sucintos sobre o conteúdo de outro texto. A diferença reside no fato de o resumo não conter comentários ou avaliações de seu produtor. Noutras palavras, o resumo é uma redução das idéias contidas num texto, mantendo a fidelidade ao texto original. Eis algumas dicas para facilitar a produção de um resumo:
A. Leia atentamente o texto a ser resumido, certifique-se de tê-lo entendido;
B. Utilize a inserção de citações. (Segundo o autor… / Fulano de tal considera… / De acordo com que afirma…) ;
C. Redija-o em linguagem objetiva, clara e consisa;
D. Escreva-o com suas palavras, evitando copiar as frases e expressões contidas no texto original;
E. Desconsidere conteúdos facilmente inferíveis;
(“Maria era uma pessoa muito boa. Gostava de ajudar as pessoas…”)
F. Ignore expressões explicativas;
(“Discutiremos a construção de textos argumentativos, isto é aqueles nos quais…”)
G. Não use expressões que exemplifiquem;
(As pessoas deveriam ler, também outros autores. Por exemplo…
H. Não considere as justificativas de uma
afirmação; (“Não corra tanto, pois quando se corre…”)
I. Reduza o texto a uma fração do texto original, respeitando a ordem em que as idéias ou fatos são apresentados;
O fragmento abaixo é um exemplo de resumo.




Leonardo
Boff
inicia o artigo ‘A cultura
da paz’
apontando o fato de que vivemos em uma cultura
que se caracteriza fundamentalmente pela violência.
Diante disso, o autor levanta
a questão da possibilidade de essa violência
poder ser superada ou não. Inicialmente, ele
apresenta argumentos que sustentam
a tese de que seria impossível, pois as próprias
características psicológicas humanas e um conjunto
de forças naturais e sociais reforçariam essa
cultura da violência, tornando difícil sua superação.
Mas, mesmo reconhecendo o poder
dessas forças, Boff considera
que, nesse momento, é indispensável estabelecermos
uma cultura de paz contra a violência, pois essa estaria
nos levando à extinção da vida humana
no planeta. Segundo o autor,
seria possível construir essa cultura, pelo fato de
que os seres humanos são providos de componentes genéticos
que nos permitem sermos sociais, cooperativos, criadores e
dotados de recursos para limitar a violência e de que
a essência do ser humano seria o cuidado, definido
pelo autor
como sendo uma relação amorosa
com a realidade, que poderia levar à superação
da violência. A partir dessas constatações,
o teólogo conclui, incitando-nos
a despertar as potencialidades humanas para a paz, como projeto
pessoal e coletivo.”
(MACHADO,
Anna Rachel; LOUSADA, Eliane; ABREU-TARDELLI, Lília
Santos. Resumo. São Paulo: Parábola
Editorial, 2004. p. 16)




Note que os termos em destaque são citações. Recorrentemente o autor do resumo “afirma” que a idéia é do autor do texto original. Perceba, ainda, que não há opinião do autor do resumo.
FICHAMENTO: Imaginemos que você tenha alguns livros e textos para ler e resenhar ou resumir. Caso você não tenha adquirido todos os livros e textos, poderá recorrer ao fichamento para organizar a leitura desse material. Quando precisar fazer uma monografia,
resenha e outros trabalhos acadêmicos, o fichamento o ajudará a reconstituir a fonte e as idéias apresentadas pelos autores estudados. Algumas dicas para fazer um fichamento:
A. Coloque no cabeçalho: o título genérico ou específico, a letra e/ou número
indicando a seqüência das fichas, caso você utilize mais de uma, deverá repetir o cabeçalho;
B. Insira: Referências bibliográficas (Nome do autor, título da obra, subtítulo se houver, edição, local da publicação, editora, ano da publicação, coleção (se fizer parte));
C. No corpo da ficha: Redija o texto. Utilize uma linguagem clara, objetiva, direta, sem subjetivismo (eu penso, eu acho…), resuma o assunto tratado, abordando o que o autor diz, pensa e o que é novo sobre o assunto;
D. Anote o local onde se encontra a obra (biblioteca…)
Exemplos de fichamento:
TEXTOS
CIENTÍFICOS (título genérico) –
REDAÇÃO
CIENTÍFICA, A prática de Fichamentos, Resumos,
Resenhas (Título específico) página – -
nº 1 ou A
MEDEIROS,
João Bosco. Redação Científica:
A prática de Fichamentos, Resumos, Resenhas.
São Paulo, Atlas, 2004. p.114.
(escrever
o texto)

Biblioteca
do—— (local onde se encontra a obra)
PLATÃO,
F. S & FIORIN, J.L. Lições de texto: leitura
e redação, 4. ed. São Paulo : Ática,
1999. p. 89
ASSUNTO:
TEXTOS TEMÁTICOS E TEXTOS FIGURATIVOS – Ficha 01

“Cada
um dos tipos tem uma função distinta. Os textos
figurativos produzem um efeito de realidade e, por isso, representam
o mundo, criam uma imagem do mundo, com seus seres, seus acontecimentos
etc.; os temáticos explicam as coisas do mundo, ordenam-nas,
classificam-nas, interpretam-nas, estabelecem relações
e dependências entre elas, fazem comentários sobre
suas propriedades. Os primeiros criam um efeito de realidade,
porque trabalham com o concreto; os segundos explicam, porque
operam com aquilo que é apenas conceito. Os primeiros
têm uma função representativa; os segundos,
uma função interpretativa.”

Biblioteca
da UMC