segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Tipos de Pesquisas Científicas

     Este capítulo não era para existir, já que não vejo a menor importância na necessidade de um pesquisador ter que definir o tipo de pesquisa que vai executar. O importante é que o pesquisador saiba usar os instrumentos adequados para encontrar respostas ao problema que ele tenha levantado.
      No entanto são tantas as pessoas que me consultam através desta Home Page sobre este assunto, que resolvi acrescentar este capítulo. O que ocorre aqui parece ser aquele lema conhecido pelos estudiosos da dinâmica educacional: "se podemos complicar para que simplificar?"
      Pesquisa é o mesmo que busca ou procura. Pesquisar, portanto, é buscar ou procurar resposta para alguma coisa. Em se tratando de Ciência (produção de conhecimento) a pesquisa é a busca de solução a um problema que alguém queira saber a resposta. Não gosto de dizer que se faz ciência, mas que se produz ciência através de uma pesquisa. Pesquisa é portanto o caminho para se chegar à ciência, ao conhecimento.
      É na pesquisa que utilizaremos diferentes instrumentos para se chegar a uma resposta mais precisa. O instrumento ideal deverá ser estipulado pelo pesquisador para se atingir os resultados ideais. Num exemplo grosseiro eu não poderia procurar um tesouro numa praia cavando um buraco com uma picareta; eu precisaria de uma pá. Da mesma forma eu não poderia fazer um buraco no cimento com uma pá; eu precisaria de uma picareta. Por isso a importância de se definir o tipo de pesquisa e da escolha do instrumental ideal a ser utilizado.
      A Ciência, através da evolução de seus conceitos, está dividida por áreas do conhecimento. Assim, hoje temos conhecimento das Ciências Humanas, Sociais, Biológicas, Exatas, entre outras. Mesmo estas divisões tem outras sub-divisões cuja definição varia segundo conceitos de muitos autores. As Ciências Sociais, por exemplo, pode ser dividida em Direito, História, Sociologia etc.

      Tentando descomplicar prefiro definir os tipos de pesquisa desta forma:

            Pesquisa Experimental: É toda pesquisa que envolve algum tipo de experimento.

      Exemplo: Pinga-se uma gota de ácido numa placa de metal para observar o resultado.

            Pesquisa Exploratória: É toda pesquisa que busca constatar algo num organismo ou num fenômeno.

      Exemplo: Saber como os peixes respiram.

            Pesquisa Social: É toda pesquisa que busca respostas de um grupo social.

      Exemplo: Saber quais os hábitos alimentares de uma comunidade específica.

            Pesquisa Histórica: É toda pesquisa que estuda o passado.

      Exemplo: Saber de que forma se deu a Proclamação da República brasileira.

            Pesquisa Teórica: É toda pesquisa que analisa uma determinada teoria.

      Exemplo: Saber o que é a Neutralidade Científica.


FONTE: http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/met04.htm

PESQUISA CIENTÍFICA: O QUE É E COMO SE FAZ


A diferença entre os trabalhos dos cientistas e o dos estudantes universitários não deveria residir no método, mas nos propósitos. Os cientistas já estão trabalhando com o intuito de promover o avanço da ciência para a Humanidade; os estudantes ainda estão trabalhando para o crescimento de sua ciência. Ambos, porém, devem trabalhar cientificamente. Os estudantes trabalham cientificamente quando realizam pesquisas dentro dos princípios estabelecidos pela metodologia científica, quando adquirem a capacidade não só de conhecer as conclusões que lhes foram transmitidas, mas se habilitam a reconstituir, a refazer as diversas etapas do caminho percorrido pelos cientistas (SANTOS, 1999, pág. 47)

            A pesquisa cientifica objetiva fundamentalmente contribuir para a evolução do conhecimento humano em todos os setores, sendo sistematicamente planejada e executada segundo rigorosos critérios de processamento das informações. Será chamada pesquisa científica se sua realização for objeto de investigação planejada, desenvolvida e redigida conforme normas metodológicas consagradas pela ciência.  Os trabalhos de graduação e de pós-graduação, para serem considerados pesquisas científicas, devem produzir ciência, ou dela derivar, ou acompanhar seu modelo de tratamento.
            Alguns pesquisadores conceituam pesquisa da seguinte forma:
ž   Conjunto de procedimentos sistemáticos, baseado no raciocínio lógico, que tem por objetivo encontrar soluções para problemas propostos, mediante a utilização de métodos científicos (ANDRADE, 2003, p. 121);
ž   Procedimento racional e sistemático que tem como objetivo proporcionar respostas aos problemas propostos (GIL, 1987, p. 19);
ž   Atividade voltada para a solução de problemas através do emprego de processos científicos (CERVO e BERVIAN, 1983, p. 50).


As pesquisas podem ser classificadas segundo diversos critérios, como por exemplo:
ž   Quanto à natureza: não se fundamenta nos métodos adotados, mas sim nas finalidades da pesquisa:
§  trabalho científico original: pesquisa realizada pela primeira vez, que venha a contribuir com novas conquistas e descobertas para a evolução do conhecimento científico;
§  resumo de assunto: pesquisa que dispensa originalidade mas não o rigor científico. Fundamenta-se em trabalhos mais avançados, publicados por autoridades no assunto e que não se limita à simples cópia de idéias. A análise e interpretação dos fatos e idéias, a utilização de metodologia adequada, bem como o enfoque do tema de um ponto de vista original são qualidades necessárias. É mais comum nos cursos de graduação.

ž   Quanto aos objetivos:
§  pesquisa exploratória: constitui o primeiro passo de todo trabalho científico. Visa, sobretudo quando é bibliográfica, proporcionar maiores informações sobre determinado assunto, facilitar a delimitação de um tema de trabalho, definir objetivos ou formular as hipóteses de uma pesquisa ou descobrir novo tipo de enfoque para o trabalho que se tem em mente;
§  pesquisa descritiva: os fatos são observados, registrados, analisados, classificados e interpretados sem que o pesquisador interfira neles. Incluem-se aqui a maioria das pesquisas desenvolvidas nas Ciências Humanas e Sociais, as pesquisas de opinião, as mercadológicas, os levantamentos socioeconômicos e psicossociais;
§  pesquisa explicativa: mais complexa pois, além de registrar, analisar e interpretar os fenômenos estudados, procura identificar seus fatores determinantes, ou seja, suas causas. A maioria destas pesquisas utiliza o método experimental, o qual é caracterizado pela manipulação e controle das variáveis, com o objetivo de identificar qual a variável independente que determina a causa da variável dependente ou do fenômeno em estudo.


ž   Quanto ao objeto: referente principalmente ao ambiente onde são realizadas as pesquisas:
§  bibliográfica: pode ser um trabalho independente ou uma etapa inicial de uma pesquisa;
§  de laboratório: o pesquisador tem condições de provocar, produzir e reproduzir fenômenos, em condições de controle. Não é sinônimo de pesquisa experimental; nas Ciências Humanas e Sociais também se faz este tipo de pesquisa;
§  de campo: não tem como objetivo produzir ou reproduzir os fenômenos estudados. A coleta de dados é efetuada em campo, onde ocorrem espontaneamente os fenômenos. É desenvolvida principalmente nas Ciências Sociais (Sociologia, Psicologia, Política, Economia, Antropologia).


ž   Quanto aos procedimentos técnicos:
§  pesquisa bibliográfica: é aquela que utiliza material escrito / gravado, mecânica ou eletronicamente. São consideradas fontes bibliográficas os livros (de leitura corrente ou de referência, tais como dicionários, enciclopédias, anuários etc.), as publicações periódicas (jornais, revistas, panfletos etc.), fitas gravadas de áudio e vídeo, páginas de web sites, relatórios de simpósios / seminários, anais de congressos etc.;
§  pesquisa documental: utiliza fontes de informação que ainda não receberam organização, tratamento analítico e publicação, como tabelas estatísticas, relatórios de empresas, documentos arquivados em repartições públicas, associações, igrejas, hospitais, sindicatos, fotografias, epitáfios, obras originais de qualquer natureza, correspondência pessoal ou comercial etc.;
§  pesquisa experimental: quando um fato ou fenômeno da realidade é reproduzido de forma controlada, com o objetivo de descobrir os fatores que o produzem ou que por ele são produzidos. São geralmente feitos por amostragem, onde se considera que os resultados válidos para uma amostra (ou conjunto de amostras) serão, por indução, válidos também para o universo;
ž   pesquisa ex post facto: significa literalmente “a partir de depois do fato”. Trata-se de uma pesquisa experimental onde, após o fato ou fenômeno ter ocorrido, tenta-se explicá-lo ou entendê-lo;
§  levantamento (pesquisa de opinião, de motivação etc.): é aquela que busca informação diretamente com um grupo de interesse a respeito dos dados que se deseja obter, utilizando questionários, formulários ou entrevistas. Os dados são tabulados e analisados estatisticamente;
§  estudo de caso: quando se deseja estudar com profundidade os diversos aspectos característicos de um determinado objeto de pesquisa restrito;
§  pesquisa-ação: quando os pesquisadores e os participantes envolvem-se no trabalho de pesquisa de modo participativo ou cooperativo, interagindo em função de um resultado esperado;
§  pesquisa (observação) participante: ocorre por meio do contato direto do pesquisador com o fenômeno observado para se obter informações sobre a realidade dos atores sociais em seus próprios contextos.


Antes de se iniciar uma pesquisa científica é necessário refletir sobre a mesma. Assim como para construir um edifício é necessário antes de fazer a planta, imaginar o tamanho, o número de andares etc. e então planejar e construir os alicerces, de acordo com o tipo de edificação, é imprescindível que antes da pesquisa se elabore um plano, se imagine a abordagem, os tópicos que serão focalizados, como se pretende conduzir o trabalho etc. Assim, o trabalho de pesquisa é desenvolvido por etapas, que se constituem num método, num caminho facilitador do processo, buscando mapear o caminho, evitar muitos imprevistos e esclarecer os rumos para o próprio pesquisador. Recomenda-se que a pesquisa siga o seguinte encadenamento:
ž   planejamento da pesquisa: pré-projeto e projeto;
ž   execução: coleta de dados, análise e redação;
ž   apresentação gráfica: digitação.

PRÉ-PROJETO: denominada por alguns autores de fase exploratória do projeto de pesquisa, é a primeira atividade de planejamento, constituindo-se, sem dúvida, num dos momentos mais importantes.  Pode ser dividida em cinco passos básicos:
ž   escolha do tema: podem ser utilizados alguns critérios para ajudar na escolha do tema, como originalidade (mesmo que o trabalho não seja original deve apresentar alguma novidade, novo enfoque, novos argumentos ou pontos de vista), relevância (importância ou utilidade),  viabilidade (econômica e de tempo), preparo técnico e existência de fontes;
ž   revisão de literatura: embora ao se escolher um dado tema já seja conhecido algo sobre o mesmo, a releitura exploratória tem o mérito de aumentar a extensão e a profundidade dos conhecimentos conhecidos, ajudando a distinguir o secundário do essencial e facilitando a delimitação do conteúdo dos temas a investigar;
ž   problematização: transformação de uma necessidade humana em problema. O pesquisador deve ter idéia clara do problema que pretende resolver, da dúvida a ser superada, caso contrário sua pesquisa correrá o risco da prolixidade, da falta de direção, da ausência de algo para se resolver. Se o problema é estabelecido de forma clara, ele desencadeará a formulação da hipótese geral, que será comprovada no desenvolvimento do texto. Ao optar por uma solução que deseja demonstrar (ou seja, a hipótese, nascida do problema apontado), tem-se uma tese;
ž   seleção /delimitação do assunto: deve-se escolher o “pedaço”  do problema que se quer ou se precisa estudar para estudá-lo em profundidade. Mesmo que todos os aspectos sejam considerados importantes, devem ser tratados um por vez e, ao escolher um deles, abandonam-se ou outros. É uma imposição do método;
ž   construção da(s) hipótese (s): é uma solução provisória que se propõe para o problema formulado. Sendo uma suposição que carece de confirmação, pode ser formulada tanto na forma afirmativa quanto na interrogativa. Não há uma norma ou regra fixa para a formulação de hipóteses, mas deve ser baseada no conhecimento do assunto e na literatura específica que foi levantada: lança-se uma afirmação a respeito do desconhecido com base no que se construiu e publicou sobre o tema. A formulação clara das hipóteses orienta o desenvolvimento da pesquisa. As hipóteses devem ser razoáveis e verificáveis. Em pesquisas exploratórias e descritivas não há necessidade de apresentar as hipóteses.










PROJETO: o planejamento da pesquisa científica se completa com a montagem do projeto de pesquisa, que traça o caminho intelectual inicial de todo o processo posterior. A coleta de dados e a redação final do trabalho são planejados aqui. São sugeridos como indispensáveis (devendo estar absolutamente claros para o pesquisador) o planejamento de sete itens:
ž   tema específico: é criado a partir da hipótese. O tema específico será o título do futuro texto escrito;
ž   objetivos (geral e específicos): é a espinha dorsal do projeto de pesquisa. Não é o que o pesquisador vai fazer (isto se prevê nos procedimentos), mas o que ele pretende conseguir como resultado intelectual final de sua investigação. São eles que delimitam e dirigem os raciocínios a serem desenvolvidos. O objetivo geral será subdividido em tantos objetivos específicos quantos necessários para o estudo e solução satisfatória do problema contido no objetivo geral. Cada um dos objetivos específicos será uma parte distinta da futura redação (um capítulo, um segmento). O enunciado dos objetivos deve iniciar sempre por um verbo no infinitivo: estudar, analisar, questionar, comparar, introduzir, elucidar, explicar, contrastar, discutir, apresentar etc.);
ž   justificativa: consiste em apresentar motivos bons o bastante para o desenvolvimento da pesquisa. O que se pretende é que o leitor adquira convicção semelhante à do pesquisador: o tema é relevante e abrangente o bastante para merecer uma investigação científica. Um tema pode ter importância social, científica ou acadêmica. O desenvolvimento dele pode trazer benefício direto para a sociedade em geral, ou para um grupo social específico, ao resolver ou encaminhar a solução para a necessidade ali instalada. Pode também beneficiar de imediato uma ciência contribuindo com informações para o avanço de determinado estudo científico. Pode ainda beneficiar o processo acadêmico, facilitando ou inovando o ensino-aprendizado de um assunto;
ž   recursos / material: consiste na descrição quantitativa de tudo aquilo que se pretende utilizar no desenvolvimento do trabalho. Planejar os recursos é assegurar, com o maior detalhamento possível, a suficiência inicial dos itens necessários para a aquisição das informações desejadas;
ž   procedimentos / metodologia: são as atividades práticas necessárias para a aquisição dos dados com os quais serão desenvolvidos os raciocínios (previstos nos objetivos específicos), que resultarão em cada parte do trabalho final. Assim, planeja-se aqui, de forma concreta, a coleta de dados, que se iniciará ao final do projeto. A descrição dos procedimentos pode também ser enriquecida por detalhes práticos. Detalha-se o universo, a amostra, o tipo de tratamento que as informações receberão, descrevem-se os instrumentos de coleta, a margem de acuidade prevista etc.;
ž   cronograma: consiste em relacionar as atividades ao tempo disponível, ou seja, planejar o tempo em função das atividades previstas para a conclusão do trabalho proposto;
ž   orçamento: quando este item for necessário, devem ser especificados os recursos humanos e materiais indispensáveis para a realização do projeto, com uma estimativa dos custos.

Exemplo de elaboração de uma pesquisa científica:
            Vou dar um exemplo bem simples e resumido para ajudar na compreensão do que é e como se conduz uma pesquisa científica clássica, seguindo as orientações de especialistas na área (e a coerência e bom senso também).
            Imaginemos que toda vez que chove, cai água dentro da nossa sala de reuniões. Este é realmente um problema. Por que é um problema? Porque indica que há uma imperfeição técnica na construção do edifício, visto que não deve chover dentro da sala, e isto pode se agravar mais ainda. Além do mais, quando cai água, molha a mesa que, além de ser local ao redor do qual nos sentamos para discutir nossos assuntos, é onde ficam temporariamente depositados documentos relativos ao nosso grupo. Estes três pontos, entre outros que podem ser elencados, justificam a realização de uma pesquisa sobre o tema, sendo este, portanto, atual, útil e necessário – não se pode continuar com chuva caindo dentro da sala.
Qual é o objetivo da pesquisa, então? Pesquisar por que está chovendo dentro da sala, ou, o que está fazendo com que chova dentro da sala. Com este objetivo bem claro, vou construir o caminho por onde vou percorrer para descobrir o que está provocando esta situação.
Após uma leitura inicial (exploratória) sobre os fatores que podem provocar esta situação, eu proponho algumas hipóteses do porquê está chovendo dentro: os dados apresentados em outros estudos sugerem que pode ser porque há uma telha quebrada, uma rachadura no teto, infiltração porque as calhas estão entupidas e toda vez que chove forma uma lagoa em cima do teto etc. É possível partir de uma hipótese geral principal (se eu souber o que está provocando o problema, eu posso resolvê-lo) e então propor hipóteses secundárias (a telha, a rachadura, a infiltração).
Dependendo da(s) hipótese(s) que eu me propor a seguir, será estabelecida uma seqüência de passos para atingir o objetivo, e a isto se chama metodologia. Então, se a hipótese for a da telha quebrada, vou traçar passo a passo o que será feito, incluindo revisões teóricas sobre o assunto. Isto vale para cada hipótese que for investigada.
É importante que o foco seja mantido e seja coerente do começo ao fim. Fazer uma discussão generalizada, contextualizando o tema e o problema, é fundamental. Entretanto, os aprofundamentos teóricos e metodológicos devem ser feitos apenas no que está diretamente ligado ao problema. Por exemplo, discutir o tipo de revestimento nas paredes da sala, ou o tipo de iluminação, tem relação com a sala, mas não com o problema da sala que está sendo investigado, portanto não cabem ser aprofundados. Entretanto, se a água estiver entrando pela fiação da luz, a discussão sobre a iluminação pode ser pertinente. Da mesma forma, discutir o tipo de material do qual é feita a mesa pode ser importante se, por exemplo, ajudar a justificar o problema: se é um material não resistente à água, em pouco tempo será estragado, e isto é um bom motivo para se fazer este estudo.
O resultado da pesquisa deve retornar ao objetivo e ao problema, confirmando ou não a(s) hipótese(s). Assim, no final da pesquisa, se bem estudada, planejada e executada, eu deverei saber o que está provocando a chuva dentro da sala. Atenção, pois isto não é regra geral: às vezes, por mais bem feitas que tenham sido, as hipóteses não são comprovadas. Se eu seguir a hipótese da telha quebrada unicamente e isto não for comprovado, o que fazer? Paciência!! Caberá à minha discussão explicar porque eu segui somente esta hipótese e obtive este resultado.
A conclusão faz um fecho geral da pesquisa, normalmente de forma sucinta. A partir dos resultados, por exemplo, é possível se estabelecer perspectivas futuras: se for comprovado que a telha estava quebrada, pode-se sugerir que a partir de agora não se utilize mais este tipo de telhas. Fácil, não?
 FONTE: people.ufpr.br/~nilce/metodolog.%20pesquisa%20cientifica.doc

O Perfil do Pesquisador

O pesquisador de hoje deve estar predisposto a enfrentar e vencer vários desafios, buscando criar novos conhecimentos, procedimentos e soluções para os diversos problemas. Tais conhecimentos criados e alguns aperfeiçoados devem ultrapassar as barreiras físicas e políticas das instituições de pesquisa, sendo divulgados e aplicados no meio social na qual àquela instituição de pesquisa está inserida, com o objetivo de beneficiar e melhorar a realidade da sociedade.
Segundo Schanaider (1994), os preceitos que alicerçam a escola médica compreendem 3 compromissos principais: o ensino, a pesquisa e a integração social. Assim, a produção do conhecimento científico, a formação profissional e a prestação de serviços à comunidade são os elos indissociáveis que dimensionam a educação médica.
Dessa forma, o pesquisador deve assumir o perfil de agente transformador do meio social no qual está inserido, ou seja, deve ter o perfil de pesquisador-professor, isto é, aquele que produz conhecimento e que o repassa para os possíveis alunos.
O pesquisador deverá conduzir qualquer tipo de pesquisa com consciência e responsabilidade ética, social e política, tendo sempre em vista um espírito crítico e empreendedor, pautado no raciocínio lógico e na autonomia intelectual. Atitudes de paciência, de criatividade, de persistência, de coragem para enfrentar desafios e romper paradigmas e de humildade, devem ser inerentes ao pesquisador, assim como a busca incessante pelo conhecimento, pela transformação e reprodução desse conhecimento também devem ser características de um bom pesquisador.
O agente da pesquisa deve agir buscando a integração dos centros de pesquisa universitários à iniciativa privada, como forma de parceria, objetivando interesses comuns e em prol do desenvolvimento científico e social, pois assim criarar-se-á condições necessárias para a captação de recursos imprescindíveis ao desenvolvimento da pesquisa.
No perfil do pesquisador, deve-se estar inserida a idéia de que é necessário estabelecer a pesquisa como princípio educativo, privilegiando a construção e reconstrução do conhecimento como processo central do ato educativo. Assim, todo pesquisador deve experimentar o ambiente da aula, fazendo dela seu próprio laboratório, abrindo assim os olhos dos alunos para as questões científicas que giram em torno dos conhecimentos transmitidos.
O pesquisador deve adquirir uma postura de amante e entusiasta da pesquisa, alimentando um interesse constante em decifrar os enigmas postos pelas questões que se passam na sociedade e uma vontade de saber mais, por amor ao conhecimento.

João Vinícius Barbosa Roberto
Mestrando em Zootecnia/ Sistemas Agrossilvipastoris
Referência:
Schanaider, A. Perfil da Pesquisa Experimental e a Formação do Pesquisador na Educação Médica Contemporânea. Acta cirúrgica brasileira, vol. 9 (4), 1994.

FONTE:  Artigonal Diretório de Artigos Gratuitos
http://www.artigonal.com/educacao-artigos/o-perfil-do-pesquisador-4573583.html

Perfil desejável do pesquisador

Em fins da década de 80, quando elaborava a pesquisa para sua dissertação de mestrado, na USP, Glória bergier Dietrickeit, uma professora paulista, fez uma mesma pergunta "o que é um cientista para você?" a 467 crianças de sete a onze anos, todas estudantes de primeiro grau de duas escolas paulistanas de classe média, uma pública e outra privada.

Entre algumas respostas curtas e peremptórias, do tipo "não sei"ou "é um louco" parte considerável das redações e desenhos entregues pelas crianças permitiu que se chegasse, resumidamente, ao seguinte esboço do personagem em questão: "os cientistas são homens de cabelos brancos e arrepiados, estranhos mas muito inteligentes, que vivem em laboratório sombrios, provocando explosões todos os dias". A lembrança amena e risível serve aqui de preâmbulo a uma questão rigorosamente atual: qual é o perfil desejável do pesquisador contemporâneo?

Certamente, nada mais distante dele que a figura caricatural do gênio meio louco, cabeça nas nuvens, atento só ao problema que o desafio. O pesquisador de hoje, além das caracterísiticas que fizeram os bons cientistas de qualquer tempo paixão pelo conhecimento, criatividade, capacidade para ver e delimitar com precisão um problema relevante, persistência em perseguir soluções para esse problema, deve ter capacidade administrativa, aptidão para a liderança e espírito empreendedor. Precisa saber trabalhar em grupo e se comunicar, e ter vocação para formar discípulos. Precisa ter sensibilidade social, política e uma aguda percepção das mudanças da economia.

Por que esses traços que parecem soar mais adequados a um empresário tornaran-se desejáveis? Primeiro, porque nas sociedades mais desenvolvidas, Ciência Tecnologia ocupam, já há quase três décadas, um lugar central enter os chamados fatores essenciais de produção. Segundo, porque, mais recentemente, o processo de globalização econômica tornou todos os países expostos a competição, e não há chance de qualquer deles ser competitivo sem que C&T integrem profundamente sua lógica de produção o que exige dos "fazedores" de Ciência e Tecnologia uma nítida percepção desse fenômeno.

Neste final de século, as pesquisas mais importantes tornaram-se grandes, complexas e caras. Exigem o trabalho de grupos sólidos e eficientes o indivíduo talentoso, mesmo genial, já não basta, embora dele não se prescinda. É, aliás, exatamente isso que a FAPESP vem sinalizando com a importância crescente que atribui aos projetos temáticos.

No caso do Brasil, as transformações da economia mundial impuseram uma mudança de paradigma na sociedade, que de protegida, voltada para dentro, viu-se repentinamente aberta, sujeita aos rigores da competição internacional, antes de sua economia tornar-se efetivamente competitiva. Há, portanto, um salto que precisa ser dado, com o concurso dos pesquisadores brasileiros.

Isso só torna para nós mais vital a multiplicação desse novo pesquisador, capaz de identificar e buscar novas fontes de recursos financeiros para a pesquisa, e os novos locus onde a pesquisa pode e deve ser desenvolvida, especialmente a empresa, com a qual ele deve estar pronto a dialogar. Desse tipo de pesquisador, de sua multiplicação, poderá depender até mesmo a sobrevivência do cientista à imagem das fantasias infantis. Porque dentro dos grupos contemporâneos poderá sempre restar um lugar para ele.

FONTE: FAPESP
http://revistapesquisa.fapesp.br/?art=257&bd=1&pg=1&lg=